Relato de mãe: 1º ano

mar 28, 2011 por bolinho    3 comentários    Postado em: Primeiros passos, Relato de Mãe

O momento era de apreensão, mas eu tinha a mais absoluta certeza que tudo já tinha dado certo e que você seria do jeitinho que pedi a Deus.

Tranquila e extremamente feliz, não tenho como explicar a emoção que senti ao ouvir o seu choro ainda no centro cirúrgico. Sabia que era pequeno, muito pequeno, frágil, porém esperto. De olhos abertos, voltou ao centro cirurgico só para dar um oizinho pra mim e logo foi para a UTI.

O nosso primeiro contato só aconteceu dois dias depois, tinha que me recuperar.  O seu pai, babão e ainda preocupado com a gente, me dava notícias suas a todo momento. Não via a hora de te ver, te tocar. Sabia que teríamos um caminho longo a percorrer. Mas sabia também que você já era um vencedor. Ao pegar na sua mãozinha pequenina, chorei. De emoção, é claro! Não tinha espaço para tristeza no meu coração. Só tinha a felicidade e a euforia de ser mãe. Foi um sentimento diferente do que senti quando o seu irmão Miguel nasceu. Acredito que Deus me preparou e te preparou para nos encontrarmos, para sermos mãe e filho.

Com o passar dos dias – e olha que não foram poucos – me sentia mais mãe. Te vi crescendo fora do meu útero. Vi os cílios, os cabelos, as sombrancelhas nascerem. A cada dia, graças a Deus, era um novo dia. E sempre tinha novidades boas. Era um ml de leite que tinha aumentado, era 5 gramas que você tinha ganhado, era o tubo de oxigênio que tinha sido retirado. Nossa, parece que foi ontem. E está fazendo um ano.

Um ano cheio de alegrias e descobertas. Não tenho como negar que o trabalho das médicas, enfermeiras, fonoaudiologas, fisioterapeutas, oftalmologistas foi primordial nessa história. O jeito que falavam comigo me tranquilizava. No começo, não dormia direito a noite, preocupada. Não via a hora do outro dia chegar para ir te ver de novo.

No dia que me falaram que você iria mamar pela primeira vez em mim ainda está nítido na minha mente. Eu queria tanto aquele momento, sonhei tanto. Até tremi de medo de não saber como fazer, de você não aceitar o meu leite. Mas a natureza é sabia e logo você mamou. Me realizei. Acho que foi, depois do seu nascimento, o dia mais feliz da minha vida.

O tempo foi passando e você ia crescendo, engordando. Era só isso que precisava. Todos os dias algum dos seus amiguinhos saia da incubadora e ia para o bercinho e muitas vezes para casa. Ficava pensando quando chegaria a nossa vez.

Estava a caminho do hospital quando o telefone tocou. Era a enfermeira da UTI. Fiquei apreensiva achando que tinha acontecido alguma coisa grave. Mas felizmente era uma boa notícia: tinha que levar roupas que você iria para o berço aberto. Meus olhos encheram de lágrima. E logo pensei: as roupas que tenho, mesmo para recém-nascido, iriam ficar enormes. E lá vai a gente em busca de roupinhas para prematuro. No outro dia já estava no berço. Ali começava a nossa história de mãe e filho, o nosso test-drive. No horário em que eu estivesse lá seria responsável pela troca de fralda e de roupa. Logo a gente se entendeu. Trocava e amamentava. Nossa, estava sendo mãe. Em pouco mais de uma semana, estariamos em casa.

No dia em que a sua pediatra disse que poderia trazer roupas que iriamos pra casa, pirei. Aquele dia tão esperado enfim tinha chegado. Não dormi direito e cheguei cedo junto com o papai, com a mala cheia. Aprendi a dar o primeiro banho, arrumei e coloquei toquinha, estava muito frio, garoando. Saiu só eu, você e o papai. Não teve aquele auê que geralmente as pessoas fazem quando os bebês nascem e saem do hospital. Mas não fez nenhuma diferença. Estava tão feliz, tão realizada. Antes de vir para casa, uma parada para tomar uma vacina, por sinal bem dolorida. Era o primeiro teste de ver você chorando de dor. Acho que doeu mais em mim. O tempo passou, e rápido. Vieram as cólicas, o rolar, o engatinhar, o ficar de pé, os dentinhos. Hoje olhando algumas roupinhas que guardei vejo como Deus é maravilhoso. Apesar de ter vindo antes do tempo, você tem saúde, é forte e esperto. Exatamente como eu imaginava que seria. Moreno, saudável, sapeca, inteligente, simpático, bem humorado e carinhoso. O que mais uma mãe pode querer ?

Te amo filho mais do que desejado, mais do que esperado.

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3 comentários + Add Commentário

  • Lindo texto! Emocionante!

  • tenho 60 anos, vcs sabem quem sou eu…o Sergio da Teresinha…
    Ao ler o que seu coração escreveu, chorei, chorei muito e em silêncio…
    Homem não chora, que o que…homem chora sim e o meu coração leu exatamente o que seu coração escreveu…
    Amei…e quero dizer que o que presenciei no dia do primeiro aniversário do Matheus me emocionou e, naquele momento, vendo vc´s chorarem, também chorei, ainda bem que vc´s não viram…aquele momento era só de vc´s…PAPAI E MAMÃE…

  • Impossível não se emocionar… AMO vcs!!

    Bjs

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